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Um estudo divulgado nesta sexta-feira afirma
que a exposição de crianças e adolescentes a conteúdo sexual na mídia
vem reforçando a ideia da mulher como objeto de desejo e alvo de
violência doméstica. O relatório Sexualização dos Jovens, da psicóloga
Linda Papadopoulos, encomendado pelo Ministério do Interior britânico,
diz que os jovens estão cada vez mais expostos a conteúdo relacionado à
sexualidade por meio de revistas, televisão, internet e aparelhos de
celular, sem que os pais consigam controlar isso.
Segundo
ela, esse conteúdo está "legitimando a ideia de que as mulheres existem
para serem usadas e de que os homens existem para usá-las".
Nesse
contexto, a pesquisadora entende que a posição da mulher como alvo de
violência doméstica acaba virando comum e até aceitável.
Da sexualidade à violência O
estudo diz que as crianças estão sendo cada vez mais retratadas como
adultos, enquanto adultos são infantilizados, o que confunde as noções
de maturidade e imaturidade sexual.
Além disso, tanto mulheres
quanto homens são levados pela mídia a buscar um ideal de aparência
física "fora da realidade", o que resulta em "insatisfação com o
próprio corpo, um reconhecido fator de risco para a autoestima, para
depressão e distúrbios alimentares".
"Um tema dominante em
revistas parece ser a necessidade das garotas de se apresentarem como
sexualmente desejáveis para atrair a atenção masculina", diz o estudo.
Seguindo esse mesmo raciocínio de subserviência feminina, a violência contra as mulheres acaba sendo banalizada.
O
relatório aponta que, desde 2004, a exibição na TV de cenas de
violência contra a mulher cresceu 120%, enquanto as de agressão contra
adolescentes aumentou 400% no período. Além disso, no cinema, 75% dos
personagens e 83% dos narradores são homens.
Papel dos pais e da escola Papadopoulos
entende que essa lógica explica os resultados de uma pesquisa do
Ministério do Interior britânico divulgada neste mês.
A análise
revelou que 36% dos britânicos acreditam que, em caso de estupro, a
mulher deve ser parcialmente responsabilizada se estiver bêbada, e 26%
pensam assim no caso de a vítima estar usando roupas sensuais.
A
psicóloga cita ainda o dado de que uma em cada três garotas britânicas
entre 13 e 17 anos já teve de fazer sexo contra a sua vontade, enquanto
25% delas já sofreram algum tipo de violência física.
Para
reverter esse quadro, o relatório defende que os pais acompanhem mais
de perto como seus filhos usam a internet e seus celulares e que o
Estado tome medidas para coibir a banalização da sexualidade.
A pesquisadora também recomenda que as escolas tragam essa discussão sobre a igualdade de gênero para as salas de aula.
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